Assassin’s Creed Black Flag Resynced é pirateado antes do lançamento, apesar do Denuvo

Entenda como um grupo driblou a proteção em cerca de um dia com virtualização, e por que o vazamento saiu da própria Ubisoft.

Assassin’s Creed Black Flag Resynced foi parar em sites de pirataria antes mesmo de chegar às lojas, e a ironia não passou despercebida: um jogo sobre piratas caribenhos acabou pirateado dias antes da estreia. O remake tem lançamento marcado para 9 de julho no PC e nos consoles, mas uma cópia jogável já circula há semanas.

O episódio chama atenção porque o título usa o Denuvo, sistema antifraude que costuma segurar as versões piratas por semanas ou meses após o lançamento. Desta vez, a proteção não resistiu nem 48 horas.

Vazamento saiu do próprio sistema da Ubisoft

Os primeiros arquivos começaram a circular em 7 de junho, mais de um mês antes da data oficial. A versão completa e funcional apareceu por volta de um dia e meio antes da estreia, com direito a vídeos mostrando cenários que a Ubisoft ainda não havia divulgado nos trailers.

O ponto central está na origem do vazamento. Segundo a apuração da Tom’s Hardware, os arquivos não saíram da Steam, e sim de um build interno de produção da própria Ubisoft, distribuído pelo launcher Ubisoft Connect.

Usuários do Reddit apontam uma falha da empresa: o preload teria sido liberado sem a criptografia adequada para assinantes do Ubisoft Connect. Como o embargo das análises só terminava em 8 de julho e o jogo não teve fase de Acesso Antecipado, os principais suspeitos de espalhar os arquivos são jornalistas com códigos de review em mãos.

Como o Denuvo foi contornado

A quebra da proteção ficou por conta de um grupo que atende pelo nome de DenuvOwO, e o método usado é um bypass por Hypervisor, o mesmo que vem atormentando a Denuvo ao longo de 2026.

O truque é engenhoso: em vez de mexer diretamente no arquivo executável do jogo, os responsáveis rodam o título dentro de um ambiente virtual isolado, carregando um driver de Hypervisor (hypervision) em uma camada abaixo do sistema operacional, conhecida como Ring -1. Nesse arranjo, o Denuvo continua rodando, mas fica sem nada concreto para vigiar.

A comparação que circula na cena é a de uma câmera de segurança que segue ligada, só que recebendo uma gravação em loop com imagens vazias. O sistema acredita estar monitorando, enquanto a verificação real é enganada.

Como aponta o DSOGaming, isso não é um crack tradicional que remove o Denuvo de fato, como os que crackers do calibre de Voices38 costumam produzir. É um contorno, e o software segue ativo em segundo plano.

Divulgação/Ubisoft

O atalho cobra um preço alto do usuário

A velocidade tem um custo alto, pois para rodar um bypass por hypervisor, o usuário precisa desativar recursos de segurança do Windows, o que deixa a máquina exposta a rootkits, spyware e outros malwares de nível de kernel que normalmente seriam bloqueados.

A gravidade fica clara na reação da própria comunidade de pirataria, que costuma abraçar qualquer novidade sem pestanejar.

“Não verão nenhum repack meu com cracks de hypervisor enquanto for necessário desativar funções de segurança. Nenhum jogo vale o dano potencialmente irrecuperável que isso pode causar ao computador”

FitGirl, antes de começar a liberar alguns repacks com Hypervision indicados

Ou seja, o que antes exigia meses de engenharia reversa para mapear as verificações espalhadas pelo executável agora sai em questão de horas. A troca é direta: rapidez de um lado, risco à integridade do PC do outro.

Proteção robusta caiu em cerca de um dia

O pacote de segurança montado pela Ubisoft era considerável. Além do Denuvo Anti-tamper, o jogo exige vínculo obrigatório com uma conta Ubisoft e impõe um limite de cinco ativações por dispositivo a cada dia.

Na teoria, esse conjunto deveria manter os jogos de PC protegidos por pelo menos algumas semanas. Na prática, tudo foi contornado em cerca de um dia, resultado que alimenta o argumento de quem considera o sistema um gasto sem retorno para a produtora.

Divulgação/Ubisoft

Denuvo em xeque ao longo de 2026

O episódio não é isolado porque neste ano a pirataria de pré-lançamento virou rotina, com vários títulos protegidos pelo Denuvo caindo antes ou logo depois da estreia:

Jogo Situação
Forza Horizon 6 Vazou 9 dias antes do lançamento
Death Stranding 2 (PC) Vazou 2 dias antes da estreia
Resident Evil Requiem Versão pirata em poucas horas
Assassin’s Creed Shadows Resistiu quase um ano antes de cair

Obviamente, a antipatia dos jogadores pelo Denuvo tem raízes antigas. A principal reclamação é a queda de desempenho, com casos como o de Resident Evil Village, que sofria com engasgos e perda de quadros enquanto o sistema estava ativo.

Quando a Capcom retirou a proteção em 2023, o jogo teve um salto expressivo de performance.

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Remake chega com nota 84 mesmo após o vazamento

Apesar do estrago, o jogo desembarca bem avaliado. Assassin’s Creed Black Flag Resynced reúne nota 84 no Metacritic, com mais de 70 análises da crítica, e parte da imprensa já trata o remake como um dos melhores trabalhos recentes da série.

A refação recupera a aventura de Edward Kenway lançada originalmente em 2013, agora com gráficos aprimorados, novas cinemáticas e atividades paralelas inéditas. A estreia acontece em 9 de julho no PC e nos consoles.

Com os piratas já a bordo antes do lançamento, resta a dúvida sobre o efeito nas vendas. Mesmo assim, a Ubisoft não deve remover o Denuvo do jogo tão cedo, mantendo a proteção que acabou de falhar em sua tarefa principal.

Fonte(s): Tom’s Hardware e DSOGaming

Fonte: www.adrenaline.com.br