ASUS demonstra memórias DDR5 da CXMT rodando a até 8.400 MT/s em placas AM5

Kits Kingbank e Lexar superam o teto imposto pela MSI e elevam o overclock com chips chineses; veja os números.

A ASUS demonstrou que a DDR5 da CXMT, memória fabricada na China, consegue rodar em velocidades altas em placas AM5. Em uma publicação na rede Bilibili, a marca colocou kits com os chips chineses operando em até 8.400 MT/s.

O número supera em 200 MT/s a marca que a MSI havia validado poucos dias antes, também em placas para processadores AMD. A demonstração usou módulos prontos das marcas Kingbank e Lexar, ambas clientes da CXMT.

Nenhum desses resultados vem de perfil de fábrica. São ajustes de overclock feitos pela própria ASUS, o que já indica margem para os chips subirem além da especificação oficial.

Reprodução/Billibilli

O que a ASUS mostrou?

A publicação faz parte das comemorações de 20 anos da linha ROG e leva o nome “Chinese chips, no Limits”, algo como chips chineses sem limites. A proposta é provar que a memória produzida internamente já alcança o patamar antes reservado às três gigantes do setor, Samsung, SK Hynix e Micron.

Os testes rodaram em uma placa da ASUS, a B850M AYW Gaming OC WIFI7 W, modelo com apenas dois slots de memória. Foram três kits diferentes, dois da Lexar e um da Kingbank, cada um levado bem acima de sua frequência de fábrica.

Como cada kit se saiu

Kit Chips Especificação de fábrica Resultado em overclock
Kingbank 48 GB CXMT 24 Gbit 6.000 MT/s (CL36) 8.400 MT/s (CL42-52-52)
Lexar 32 GB (LD5U16G76) CXMT 16 Gbit 7.600 MT/s (CL38) 8.200 MT/s (CL44-58-58)
Lexar 32 GB (LD5U16G72) CXMT 7.200 MT/s (CL38) 8.000 MT/s (CL40-52-52)

O destaque fica com o kit de 48 GB da Kingbank, que parte de 6.000 MT/s de fábrica e chegou aos 8.400 MT/s no teste. Um dos módulos da Lexar merece nota à parte, já que atingiu 8.000 MT/s sem elevar a tensão além do valor de referência.

Divulgação/ASUS

ASUS passa à frente da MSI

A MSI foi a primeira grande fabricante de placas a liberar suporte oficial para a DDR5 da CXMT em alta velocidade. Em um BIOS ainda em fase de testes, a empresa removeu o limitador que prendia essas memórias em 6.800 MT/s no soquete AM5 e validou operação estável em até 8.200 MT/s.

“Em placas dual-DIMM, memórias com chips CXMT de 24 Gbit funcionam de forma estável a DDR5-8200 e passam por um teste rigoroso de burn-in do MemTest com mais de 100% de cobertura”, informou a MSI em sua nota de validação publicada na China.

Foi exatamente essa marca que a ASUS superou: as duas fabricantes recorreram a placas com dois slots de memória, configuração que costuma facilitar frequências altas por reduzir a carga sobre o controlador do processador.

A MSI chegou a mostrar também montagens de quatro slots perto dos 8.000 MT/s.

Por que as marcas chinesas migraram para a CXMT

Nomes como Kingbank, Lexar e Gloway vêm trocando os chips de Samsung, SK Hynix e Micron pelos da CXMT em seus módulos.

DivulgaçãoCXMT

O motivo está na crise de oferta… As três líderes concentram a produção em memória de alta largura de banda e LPDDR5X, mais rentáveis e destinadas às empresas de inteligência artificial sob contratos de longo prazo.

Sobra menos capacidade para a DDR5 comum, e a CXMT surge como fonte alternativa de volume, sobretudo para o mercado interno chinês.

Chip chinês, mas não sai mais barato

Um ponto contraria a expectativa que cercava a memória chinesa. Apesar da origem, a DDR5 da CXMT não chega mais barata que a das rivais. Um kit de 32 GB da Kingbank com esses chips é vendido no varejo chinês por cerca de ¥ 3.629, aproximadamente US$ 510 ou R$ 2.620 em conversão direta, sem impostos e taxas de importação brasileiros.

O valor fica no mesmo patamar cobrado pelas fornecedoras ocidentais para módulos de igual capacidade. Com a demanda por memória ainda pressionada pela IA, a tendência apontada pelo mercado é de novos aumentos nos próximos trimestres, não de queda.

Leia também:

Overclock forte, disponibilidade ainda limitada

Para quem monta um PC na plataforma AM5 da AMD, o recado é que a memória chinesa já briga em desempenho, ao menos nos testes de bancada. Os resultados, porém, saem de demonstrações internas, e a estabilidade real varia conforme a placa, o kit e a chamada loteria do silício.

Há ainda a questão do acesso, pois esses módulos da Kingbank e da Lexar circulam principalmente na China, o que deixa o consumidor de fora do país com poucas opções por enquanto.

Vale ressaltar que o ganho concreto do teste é técnico: a ASUS mostrou que os chips da CXMT aguentam frequências de entusiasta em placas de dois slots, um argumento a mais para as montadoras que procuram alternativa às três gigantes em meio à falta de memória.

Fontes: Wccftech, com base na demonstração publicada pela ASUS no Bilibili

Fonte: www.adrenaline.com.br