Windows 11 vai perder ferramenta usada desde o XP e alguns scripts podem parar de funcionar

Update KB5120998 elimina a WMIC do sistema, com PowerShell assumindo as consultas administrativas. Veja como migrar seus arquivos batch.

WMIC está sendo retirado em definitivo do Windows 11, encerrando uma trajetória que começou ainda no Windows XP. A ferramenta de linha de comando sai pelo update KB5120998, já ativo no canal de pré-lançamento, e atinge tanto a versão 24H2 quanto a 25H2.

A sigla significa Windows Management Instrumentation Command-line, e ela serve há mais de duas décadas para consultar dados do sistema e automatizar tarefas administrativas.

Quem mantém scripts antigos em servidores e parques de máquinas precisa agir, porque o comando simplesmente deixa de existir.

Divulgação/Microsoft

Uma aposentadoria de dez anos

A remoção não é repentina, a Microsoft vem desativando a ferramenta em etapas desde 2016, e a documentação oficial registra cada passo do processo:

Ano O que aconteceu
2016 WMIC descontinuado no Windows Server 2012
2021 Descontinuado no Windows 10, versão 21H2
2022 Vira recurso sob demanda no Windows 11 22H2, ainda pré-instalado e ativo
2024 Desativado por padrão no 23H2 e no 24H2, mas ainda instalável
2025 Removido ao atualizar para o 25H2, com opção de reinstalar
2026 Removido por completo, sem possibilidade de reinstalação

Um pequeno detalhe está na última linha: até agora, quem precisasse da ferramenta podia trazê-la de volta como recurso sob demanda, o Feature on Demand. Na próxima atualização de recursos essa saída desaparece, e não haverá como readicionar o WMIC.

O WMI continua, só a ferramenta sai

Existe uma confusão comum aqui que vale se debruçar, porque ela muda o tamanho do problema. O que está sendo removido é apenas o executável de linha de comando, não o sistema por trás dele.

“Somente a ferramenta WMIC está sendo descontinuada, o WMI continua parte do Windows.”

Windows Management Instrumentation é a camada que expõe informações de hardware e do sistema operacional, e ela permanece intacta. Continua acessível por PowerShell, por interfaces do .NET, por APIs COM e por outros métodos suportados.

A Microsoft descreve a mudança como endurecimento do sistema, argumentando que remove um componente desatualizado sem que o Windows perca qualquer capacidade de gerenciamento.

Divulgação/Microsoft

Como migrar para o PowerShell

O substituto indicado é o PowerShell, e mais especificamente os cmdlets de CIM. Para consultas de leitura, que são a maioria dos usos do WMIC, a troca costuma ser direta.

Antes, no WMIC Agora, no PowerShell
wmic path win32_process get Name Get-CimInstance Win32_Process | Select-Object Name

Vale uma observação para quem for reescrever agora: a recomendação é usar Get-CimInstance, e não o antigo Get-WmiObject. Os dois funcionam, mas os cmdlets de CIM são o caminho moderno e o que a Microsoft indica para automações novas.

Para tarefas que iam além de consulta, existem equivalentes como o Invoke-CimMethod. A recomendação oficial é validar e atualizar as ferramentas antes que a atualização chegue, sobretudo em organizações com implantação ou monitoramento automatizados.

O que pode quebrar na prática

O impacto se concentra em automações antigas, aquelas que ninguém revisa há anos justamente porque funcionavam. A lista de pontos vulneráveis é conhecida:

Arquivos batch com comandos wmic são o caso mais direto, junto de scripts de PowerShell que, por herança, chamam o executável externamente em vez de usar os cmdlets nativos. Scripts de login e de inicialização entram na mesma categoria e costumam falhar em silêncio.

Também estão expostas as tarefas agendadas, as rotinas de inventário e monitoramento de parque de máquinas e os pacotes de instalação mais antigos, que às vezes chamam o WMIC para checar pré-requisitos antes de instalar um programa.

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Segurança é o motivo por trás da despedida

A justificativa da Microsoft aparece na própria documentação, que fala em remover a ferramenta para proteger e endurecer o ambiente. Não é linguagem de limpeza de código, é linguagem de segurança.

A razão é conhecida de quem trabalha com resposta a incidentes: o WMIC virou instrumento recorrente de ataque. Ele permite executar comandos, consultar máquinas remotas e mover-se lateralmente pela rede usando uma ferramenta legítima do próprio sistema, o que dificulta a detecção por antivírus.

Essa técnica tem nome no jargão de segurança e é catalogada há anos em campanhas de ransomware. Tirar o executável do Windows fecha um caminho de abuso sem custo funcional, já que tudo que ele fazia continua possível pelo PowerShell, com registro de atividade bem mais detalhado.

Fonte(s): Microsoft e PCWorld

Fonte: www.adrenaline.com.br