AMD amplia linha Ryzen 200 e estreia novos Ryzen 100 com chips Hawk Point

Onze processadores móveis reaproveitam silício Zen4 antigo sob nomes recém-criados; a ficha de arquitetura sai trocada, confira.

A AMD expandiu discretamente suas linhas de processadores móveis Ryzen 200 e Ryzen 100. A primeira ganhou sete novos modelos e a segunda recebeu outros quatro, todos com data de lançamento de 2 de junho de 2026 listada nas páginas oficiais da fabricante.

Nenhum deles traz arquitetura nova. São chips das gerações Zen4 e Zen3+ reembalados sob nomes recém-criados, prática que a AMD já vinha adotando para vender Silício antigo em notebooks de entrada.

Os sete novos Ryzen 200

Os modelos que entram na linha Ryzen 200 são o Ryzen 7 253, Ryzen 7 249, Ryzen 5 225, Ryzen 5 224, Ryzen 7 217, Ryzen 5 216 e Ryzen 3 205. Todos usam núcleos Zen4, alguns em combinação com os núcleos compactos Zen4c, e gráficos integrados RDNA3.

Modelo Arquitetura Núcleos / threads Clock base / boost Gráficos integrados
Ryzen 7 253 Zen4 8 / 16 3,6 / 4,9 GHz Radeon 780M (12 CU, 2,5 GHz)
Ryzen 7 249 Zen4 8 / 16 3,1 / 4,9 GHz Radeon 780M (12 CU, 2,5 GHz)
Ryzen 5 225 Zen4 6 / 12 4,1 / 4,8 GHz Radeon 760M (8 CU, 2,4 GHz)
Ryzen 5 224 Zen4 6 / 12 3,3 / 4,8 GHz Radeon 760M (8 CU, 2,4 GHz)
Ryzen 7 217 Zen4 + Zen4c 6 / 12 3,0 / 4,8 GHz Radeon 740M (4 CU, 2,6 GHz)
Ryzen 5 216 Zen4 + Zen4c 6 / 12 2,9 / 4,7 GHz Radeon 740M (4 CU, 2,5 GHz)
Ryzen 3 205 Zen4 + Zen4c 6 / 8 2,8 / 4,6 GHz Radeon 740M (4 CU, 2,3 GHz)

Da lista, somente o Ryzen 3 205 chama atenção pela configuração incomum. A AMD lista seis núcleos físicos, mas apenas oito threads, num arranjo de dois núcleos Zen4 e quatro Zen4c.

Divulgação/AMD

A linha ainda tem uma versão profissional à parte, a Ryzen PRO 200, com os modelos Ryzen 7 PRO 250, Ryzen 5 PRO 230, Ryzen 5 PRO 220 e Ryzen 3 PRO 210, fora das tabelas de consumo.

Os novos Ryzen 100 e a arquitetura trocada

A série Ryzen 100 é mais complicada… Os modelos originais, como Ryzen 7 170 e Ryzen 3 110, são chips Rembrandt de 6 nm, com núcleos Zen3+ e gráficos RDNA2.

Já os quatro recém-adicionados, Ryzen 9 180, Ryzen 7 165, Ryzen 7 155 e Ryzen 5 125, aparecem como Hawk Point, com processo de 4 nm e RDNA3.

Modelo Arquitetura (campo da AMD) Núcleos / threads Clock base / boost Gráficos integrados
Ryzen 9 180 Hawk Point (listado como Zen3+) 8 / 16 3,6 / 4,9 GHz Radeon 780M (12 CU, 2,5 GHz)
Ryzen 7 165 Hawk Point (listado como Zen3+) 6 / 12 3,3 / 4,7 GHz Radeon 760M (8 CU, 2,4 GHz)
Ryzen 7 155 Hawk Point (listado como Zen3+) 6 / 12 3,0 / 4,7 GHz Radeon 740M (4 CU, 2,6 GHz)
Ryzen 5 125 Hawk Point (listado como Zen3+) 4 / 8 2,8 / 4,5 GHz Radeon 740M (4 CU, 2,3 GHz)

Aqui mora a contradição: o campo de arquitetura no site da AMD marca esses quatro como Zen3+, mas as demais especificações, Hawk Point, 4 nm e RDNA3, correspondem à geração Zen4, não ao Rembrandt de 6 nm. A ficha técnica, portanto, está errada.

Divulgação/AMD

“Isso confirma que esses chips não usam a arquitetura Zen 3+, como a AMD indicou por engano no site”

O que é Hawk Point, afinal

Para o comprador entender o que está levando, vale destrinchar os codinomes. Hawk Point é o nome da geração Ryzen 8040 da AMD para notebooks, baseada em Zen4 e gráficos RDNA3. Ela própria é um refinamento da linha Phoenix, os Ryzen 7040.

O Rembrandt, por sua vez, é mais antigo, com núcleos Zen3+ e gráficos RDNA2. Ou seja, um processador Ryzen 100 ou Ryzen 200 anunciado agora carrega Silício projetado entre 2022 e 2024, não um design inédito.

Esses chips ficam abaixo da linha topo da AMD para notebooks, a Ryzen AI 300 de codinome Strix Point, que usa a arquitetura Zen5 e uma NPU XDNA2 bem mais rápida, compatível com o selo Copilot+ da Microsoft. O

s Ryzen 100 e 200 não levam a marca AI justamente por ficarem nessa faixa mais modesta.

Renomear para vender, uma velha estratégia da AMD

Vale lembrar que esse tipo de lançamento não é novidade. A AMD já havia colocado Rembrandt, Hawk Point e as configurações híbridas Zen4/Zen4c sob famílias genéricas de modelo, e nem o próprio banco de especificações da empresa identifica de forma consistente qual arquitetura cada processador usa.

Boa parte desses “novos” chips são apenas versões rebatizadas de modelos já conhecidos. O Ryzen 9 270, por exemplo, é um Ryzen 9 8945HS renomeado, enquanto o Ryzen 7 250 corresponde ao Ryzen 7 8845HS. A vantagem para quem compra é que dá para consultar análises dos originais e saber o que esperar de desempenho.

A AMD mantém ainda um ramo de nomes exclusivo da China, a série H. A maioria duplica peças globais, como Ryzen 9 H 270 e Ryzen 7 H 260, mas o Ryzen 7 H 255 é uma configuração própria, com oito núcleos Zen4, clock base de 3,8 GHz e boost de 4,9 GHz.

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Na hora de escolher um notebook com um desses processadores, o número do modelo importa menos que a geração do Silício por trás dele. Um Ryzen 100 novo pode ser tanto um Rembrandt de 2022 quanto um Hawk Point de 2024, com diferença real de desempenho e eficiência entre os dois.

Nada disso torna os chips ruins, eles seguem competentes para tarefas do dia a dia e para jogos leves nos gráficos integrados, e o desempenho de cada um já é bem conhecido pelas análises dos modelos originais.

O problema é a comparação, a bagunça de nomenclatura atrapalha o público de notebooks mais baratos, que costuma ter menos familiaridade para desconfiar que um processador de nome novo pode ser apenas um velho conhecido do mercado.

Fontes: AMD

Fonte: www.adrenaline.com.br