Boom da IA faz disparar preço do ácido fluorídrico, insumo essencial para chips

Fabricantes de Taiwan e China elevam o químico em até 30%, com TSMC e Samsung na ponta de demanda. Veja o efeito até 2027.

A explosão da demanda por chips de inteligência artificial está encarecendo o ácido fluorídrico, químico usado na gravação e na limpeza dos wafers de silício. Relatos da Ásia apontam alta de 20% a 30% na variante de grau semicondutor.

Em Taiwan, a Formosa Plastics já reajustou o ácido fluorídrico e o isopropanol, solvente aplicado na limpeza de máquinas e fotomáscaras. Na China, produtores do químico viram suas ações dispararem com a nova rodada de preços.

Por que o preço subiu

A alta tem mais de uma origem: o ácido fluorídrico nasce da reação entre fluorita e ácido sulfúrico, e o conflito no Oriente Médio encareceu tanto o enxofre, base do ácido sulfúrico, quanto a energia do processo.

A isso se soma a corrida por capacidade de fabricação puxada pela inteligência artificial e a demanda por empacotamento avançado, que analistas veem pressionando a cadeia química até 2027.

Há ainda o fator geopolítico. A China anunciou a suspensão da exportação de hélio, outro insumo da produção de chips, o que adiciona incerteza ao fornecimento mesmo sem o país ser um grande exportador do gás.

Divulgação/ASML

Formosa e Do-Fluoride no centro do mercado

No HF de alta pureza, a Formosa Daikin, joint venture entre a taiwanesa Formosa Plastics e a japonesa Daikin, é uma das fornecedoras centrais. No isopropanol, a Formosa Plastics Tokuyama, parceria com a Tokuyama, lidera o fornecimento para o hardware de ponta.

Na China, a Do-Fluoride abastece TSMC e Samsung com HF grau G5 e mantém 40 mil toneladas de capacidade anual. A empresa atribuiu a alta ao encarecimento do ácido fluorídrico anidro e à disparada do ácido sulfúrico. Peng Chao, secretário do conselho da companhia, resumiu a lógica de preços em apresentação de resultados:

“A capacidade desses produtos será liberada conforme a demanda do mercado, e os preços serão definidos por negociação, de acordo com as condições de mercado.”

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A Formosa prepara mais capacidade eletroquímica, com parte já neste segundo semestre e ampliação prevista para 2027. A Sheng Yi Electronics avisou clientes que pode aplicar novos reajustes conforme a situação evoluir.

O ácido fluorídrico não tem substituto simples na fabricação de semicondutores, o que reduz a margem das fábricas para escapar do repasse. O mercado de HF grau eletrônico, avaliado em torno de US$ 1,6 bilhão em 2025, deve crescer perto de 7% ao ano até 2035.

Para as fabricantes de chips, o custo maior do insumo se junta a uma demanda recorde puxada pela IA e tende a aparecer no preço do silício avançado, do hardware de servidores às placas de vídeo.

Fonte(s): UDN e WccfTech

Fonte: www.adrenaline.com.br